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27 de agosto de 2012

Real Fábrica de Louças


Antiga Fábrica da Sedas, Rua da Escola Politécnica, s.a., ant. 1908, A3498 - AFML
Com a chegada da água, trazida pelo Aqueduto das Águas Livres, à zona do Largo do Rato, em 1748, o lugar tornou-se apetecível para a instalação de fábricas. A Fábrica Real de Lisboa mudou-se para o Rato, mas passado pouco tempo acabou por falir, obrigando à intervenção do Estado em 1757, que lhe alterou o nome para Real Fábrica de Sedas, tendo-a instalado no actual Largo das Amoreiras. O Marquês de Pombal, com o intuito de promover a modernização da manufactura nacional, pensou transformá-la em escola, o "Colégio das Manufacturas Nacional", o que acabou por não acontecer, embora a fábrica fosse transferida para um novo edifício na esquina do Largo do Rato com a Rua das Escola Politécnica (edifício da foto acima, que ainda existe). Em terrenos anexos à Real Fábrica de Sedas, foram mandadas instalar outras manufacturas, como a Fábrica dos Pentes e a Real Fábrica de Louças.

A Real Fábrica de Louças iniciou a laboração em 1767. A indústria da cerâmica estava pouco desenvolvida em Portugal, sobretudo quando comparada com o que se fazia no estrangeiro, pelo que se foram contratar mestres italianos para dirigir a produção. Segundo José Acúrsio das Neves,"Para fazermos alguma ideia da louça que antigamente se fabricava em Portugal, veja-se o que ainda hoje sai das nossas olarias e dê-se-lhe o desconto do muito que elas se tem aperfeiçoado depois que temos algumas fábricas dessa manufactura de melhor qualidade, as quais nunca entre nós passarão da mediocridade e assim mesmo tem origem italiana. A primeira destas fábricas foi a que se estabeleceu por conta do Estado e se anexou à das sedas no local, onde ainda existe junto à casa da água, no sítio do Rato, sendo o seu primeiro mestre Thomaz Brunetto, natural de Turim, com o qual se ajustaram condições em 1 de Agosto de 1767 e foi nomeado para contramestre outro italiano chamado José Veroli."


Vasos em faiança
A Real Fábrica de Louças do Rato começou por produzir louças e peças de faiança, "peças sumptuárias de altíssima qualidade, inspiradas na ourivesaria ou em modelos escultóricos", maioritariamente de pintura azul, sobretudo para serviço da corte e da aristocracia. A produção de azulejaria terá começado sob a direção de Sebastião Inácio de Almeida, após 1771, tendo-se a fábrica destacado pela produção de belos azulejos para a decoração de espaços interiores  (interessante apresentação sobre a azulejaria da Fábrica, com fotos, aqui) . Posteriormente, entre 1779 e 1816, para conseguir atingir um público mais vasto e aumentar as receitas, passaram a ser produzidas peças de faiança e azulejos de menor qualidade. Mas sem grande sucesso; a decadência estava instalada e, após sucessivas crises e alterações de gestão, a fábrica acabaria por ser encerrada em 1835.

O edifício da Real Fábricas das Sedas está, atualmente, classificado como Imóvel de Interesse Público. O edifício da Real Fábrica de Louças estava situado em parte do terreno onde hoje é a sede do Partido Socialista, o antigo Palácio do Marquês da Praia. 



Fontes:
  • Câmara Municipal de Lisboa
  • Museu Nacional do Azulejo, Lisboa 
  • Navegando na Educação, por Carlos Fontes
  • Noções históricas, económicas e administrativas sobre a produção e manufactura das sedas em Portugal e particularmente sobre a Real Fábrica do suburbio do Rato e sua annexas, por José Acúrsio das Neves, 1827
  • A Real Fábrica das Sedas e fábricas anexas - séculos XVIII e XIX, por Joaquim António Calado Cochicho 


7 de julho de 2012

O Circo Price e o Theatro Variedades

Theatro Circo Price
No final do século XIX ainda não havia cinema, televisão, consolas de jogos e internet e as melhores alternativas para passar uma noite agradável eram visitar amigos, dançar nalgum baile ou assistir a algum espetáculo de teatro, música ou dança. Todas as cidades e vilas de Portugal tinham então o seu teatro e a sua sociedade filarmónica e a capital tinha ampla oferta tanto de espetáculos como de salas. 


Interior do Theatro Circo Price
O Theatro Circo Price veio ocupar, em 1860, a primeira praça de touros que existiu em Lisboa. A iniciativa foi do inglês Thomas Price, que com o seu grupo de ginastas e acrobatas estrangeiros impressionou a juventude lisboeta da época e esteve na origem do atual Ginásio Clube Português. Como referiu Eça de Queirós, em Os Maias, o Circo Price era um espaço extremamente popular, mas um lugar pouco confortável e abafado. Embora sendo originalmente uma sala especializada em circo e ginástica, o Circo Pride passou depois a apresentar comédias, zarzuelas, operetas e outros espetáculos populares à época.
Com a sua demolição, em 1879, para construção da Avenida da Liberdade, ficou um vazio na capital que só viria a ser colmatado pelo Coliseu dos Recreios. Segundo a revista Ilustração Portugueza"O Circo Price ficava situado do lado esquerdo da calçada do Salitre, defronte do velho theatro das Variedades. Era mais amplo que o actual Colyseo dos Recreios, e a sua enorme cúpula assentava sobre grossas vigas de madeira.

Teatro das Variedades
O Teatro das Variedades (ou das Variedades Dramáticas) veio substituir, por volta de 1859, o Teatro do Salitre,  o teatro mais antigo da zona, que havia sido inaugurado mais acima, na Calçada do Salitre, em 1783 e tinha entrado em decadência após ter estado encerrado devido à febre amarela. Dedicou-se sobretudo à comédia, mas apresentou óperas, dramas, vaudevilles, danças, malabarismos e apresentações de animais e conseguiu atrair diversas camadas da população. Segundo o DN de 7/12/1871, "Tudo quanto há conhecido nas letras e nas artes dentro do país tem feito coisa naquele teatro; representou-se ali o Frei Luís de Sousa pela primeira vez em teatro público; a Soller estreou-se ali; dali saiu Isidoro; ali foram directores, numa empresa de accionistas, durante um ano ou dois, o conde de Farrobo, D. José de Almada, Francisco Palha. Mais tarde – e não há mais de quatro ou cinco anos –, esse mesmo Isidoro, o nosso Isidoro da Trindade, sendo empresário ali, foi-se à tragédia de D. Inês de Castro e desmanchou-lhe os versos por entender que no Salitre tudo se diz melhor em prosa; e fê-la representar assim.Em 1879, por ordem de Rosa Araújo, então presidente da Câmara, o Circo Price e o Teatro das Variedades foram expropriados e demolidos no contexto das obras de abertura da atual Avenida da Liberdade. O Teatro das Variedades, do Parque Mayer (hoje também em decadência) foi nomeado para evocar o antigo Variedades.

Mais informação:
Júlio César Machado Cronista de Teatro, por Licínia Rodrigues Ferreira 
Marcas das Ciências
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