Um bom velho de ar marcial,
vermelhinho e gordo, bigode e pera negros, bateu-lhe no ombro:
— Bravo, barão!... Rente às
quintas-feiras... É como eu.
— Ó coronel! — balbuciou o barão,
levemente perturbado, cumprimentando, — isso é que é zelo... pelo culto das
belas.
— Ai! Ai!... Com elas é que eu me
quero. Já agora hei de morrer assim... A esposa, boa?
— Boa, obrigado... Não quis vir.
— Já tem bilhete? São horas.
— Eu não entro por ora. Logo nos
vemos, lá dentro.
Um impulso da onda que entrava separou-os.
O barão deu de frente então com um rapazito que vendia pastéis. Teria quinze anos. Pele morena, olho aveludado, tipo insinuante de marnoto, camisola de xadrez azul e preto, calça branca muito justa, à frente uma grande cesta vestida de oleado, em cujo interior destacavam de uma alvura de toalha várias gulodices. Como viu o barão encará-lo com insistência, o rapaz naturalmente aproximou-se:
— Quer pastelinhos, freguês?
E oferecia-lhe o cesto, donde
vinha um cheiro morno a canela e a manteiga.
O barão porém respondeu-lhe: —
Não, filho... não quero pastéis! — com um acento, uma expressão tão nuamente lúbrica, que
o rapaz retrucou, num tom de desprezo sacudido, dando-lhe as costas:
— Olha que gajo!... Você comigo engana-se!
O barão circunvagou rápido em torno com a vista, a ver se alguém teria
ouvido, e rodou viscoso, manso, para longe, infiltrando-se, anulando-se na massa
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