6 de julho de 2012

A Rua do Salitre em 1867

Projeto de Ressano Garcia para a
Avenida da Liberdade
Em 1867, a Calçada do Salitre (depois promovida a Rua) descia do Largo do Rato até à Praça da Alegria de Baixo e prolongava-se até à rua das Pretas (clicar mapa ao lado para ver em ponto grande). 
Nesta altura ainda não tinha sido aberta a Avenida da Liberdade e quem caminhasse a partir do Rossio para norte, passaria pela Rua do Príncipe (em frente à atual Estação do Rossio) e chegaria ao Largo do Passeio Público (o jardim onde as damas de sociedade exibiam as suas toilettes).
Atravessando o Passeio Público, sempre para norte, chegaríamos à Praça da Alegria de Baixo, donde se seguíssemos em frente, entraríamos na Calçada do Salitre.
A zona baixa da Calçada do Salitre era uma zona de animação e divertimento popular com teatro, circo, botequins, artistas, boémios e também prostituição («Psiu! Não sobes, ó catitinha?»), um pouco como a zona do Parque Mayer antes de ter sido quase abandonado há uns anos atrás. Nesta zona da Calçada do Salitre existiu a primeira praça de touros de Lisboa (construída por volta de 1777 - 1780), que depois foi ocupada pelo Circo Price, e o Teatro Variedades  (mais sobre o circo e os teatros da zona num outro post...). Em 1879, por ordem de Rosa Araújo, então presidente da Câmara, a praça de touros e o teatro, bem como os prédios da Calçada do Salitre e da Praça da Alegria de Baixo foram expropriados (por vinte e dois mil escudos... 110 euros... lol) e demolidos no contexto das obras de abertura da atual Avenida da Liberdade, com projeto de Ressano Garcia.

O Passeio Público, Carta topográfica, Filipe Folque, 1858
Sublinhado a verde, o Passeio Público, a laranja, a Praça da Alegria de Baixo, onde desembocava a Calçada do Salitre, Nesta carta, o Circo Price está assinalado como Circo do Salitre, na Calçada do Salitre.


Mais informação:
Ruas de Lisboa com História
Freguesia de São José
Lisboa de Antigamente

4 comentários:

João Roque disse...

Extremamente interessante.
E o mapa, fabuloso...

Joao Maximo disse...

Obrigado, João. Conto com o teu conhecimento, os teus comentários e sugestões, sempre esclarecidos e pertinentes.

miguel disse...

é curioso, lendo o texto do post anterior quase conseguimos imaginar as Portas de santo Antão, hoje em dia (minus as meninas do primeiro andar?)

Joao Maximo disse...

Bem observado, Miguel! O ambiente daquela zona da Rua do Salitre deve ser semelhante ao da Rua das Portas de Santo Antão (um pouco mais abaixo, junto ao Rossio) em dia de espetáculos. Aí, a aglomeração de pessoas costuma ser intensa quando coincide algum concerto no Coliseu com um dos musicais do La Féria no Teatro Politeama, mesmo em frente. E não faltam os vendedores de água em garrafa ou de bugigangas, nem os "pregões" dos empregados dos restaurantes a chamar clientes para as mesas.